segunda-feira, 27 de outubro de 2014



Nunca temi a Morte por que sempre confiei que a vida continuaria no além. Só com o passar dos anos, percebi que ainda que a vida continue, as circunstâncias "deixam de existir".
A juventude que passa, as oportunidades que ficam, o irmão que se aprova no concurso e vai embora de casa para trabalhar, o amigo que começa a namorar e se ausenta das velhas reuniões de bate papo, tudo isso que vem como manifestação do passar do tempo.
Não haverá mais a infância, a época da escola, as conversas nos corredores da faculdade, reuniões natalinas, a namorada com seus vinte e sete anos e etc... As circunstâncias e tudo que nela contém, terão seu fim...
Hoje, ainda confiando na existência da vida no além, continuo a não temer a Morte, mas passei a temer as mortes...


H.S.C.

terça-feira, 29 de julho de 2014

“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um esportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifrões em milhões significarem triunfo, – então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: Para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas.”

~ Martin Heidegger (1953), em Introdução à Metafísica ~